Quem ler (e alguém lê essa budega? hehehe) pode não gostar do que vou escrever abaixo, mas é a pura verdade. Eu estou cansado de ir em sites de “gamedev” brasileiros, e dar de cara com trocentos projetos em “gamemaker”, “mugen”, “rpg maker”, “bor”, “3d gamestudio”, “fps maker”, etc – cada um com cara mais amadora que o outro, e na grande maioria, usando personagens de desenhos (tipicamente Naruto, DBZ e outros Animes) o que só piora a sensação de “amadorismo” da coisa.
Esses programas podem até servir como diversão, como uma brincadeira (eu mesmo já brinquei muito com mugen, criando cenários e personagens) – mas não passa disso, honestamente. A grande maioria dos publishers, se você mencionar o 3DGS, recusa seu jogo, sem sequer saber como ele é (Sim, eu ouvi isso da boca de um publisher!)
Quem tem qualquer esperança de fazer um jogo que “vai vender”, melhor esquecer esses programas. Com sorte, com o 3D GameStudio o cara até pode conseguir alguma coisa… mas tem que ser muito bom, e vai perder muito tempo (mais do que deveria se usasse um outro engine) para conseguir um resultado aceitável.
Quem quer aprender a programar – a grande maioria desses “makers” envolve ZERO de programação, ou então apenas o uso de alguns scripts… longe de qualquer coisa que seja usada em produtos comerciais.
Quem é artista e quer contribuir com um projeto para “ganhar atenção do mercado”, ou mesmo ter algo para incluir em seu portfolio, melhor contribuir com um projeto que possa ser levado a sério.
Quer um exemplo? Eu estou procurando por um artista para meu próximo jogo, conheço alguns brasileiros muito talentosos que fazem personagens de MUGEN – mas não contrataria nenhum deles, pois em MUGEN, o que se faz é editar um sprite em cima de outros, praticamente nada é feito do zero. E qual empresa pode se dar ao luxo de usar gráficos “ripados” de outros jogos? O mesmo se aplica ao RPG Maker, e a trocentos jogos com modelos “encontrados na net”.
A melhor coisa, se você quer desenvolver um jogo: pegue uma linguagem de programação – qualquer uma – e aprenda a programar nela. Pegue um engine 3D – e aprenda a utilizá-lo. Veja se o engine se adequa ao jogo que você quer criar (as vezes o suporte a algum tipo de tecnologia pode fazer uma enorme diferença no visual ou até mesmo na jogabilidade) – e comece a desenvolver, mesmo que seja um protótipo “tosco”, com programmer-art ou o que quer que seja.
Mas por favor, vamos parar com essa mania de “vou desenvolver o mega-hiper-ultra-jogo nunca feito antes, com efeitos mais alucinantes do mundo… e vai ser feito no auto-game-tabajara-brainless-creator 5.7 release 3!”
E não seria nada mal se os “portais” brasileiros filtrassem seus conteúdos, capando tudo feito nesses “game makers”, ou pelo menos, deixando passar apenas aqueles com excelente nível técnico, e que não infrinja copyright alheio. Admito que aí a quantidade de material novo sendo postado no site ia decrescer e muito, mas pelo menos teria-se uma qualidade mínima nos projetos.
É preciso acabar com a impressão que se tem nesse país que jogo brasileiro é coisa feita por moleque, “só de zueira”, quando se tem ótimos exemplos de jogos feitos por aqui.